Ciclos Biogeoquímicos, Fluxo de CO2 e Acidificação do Oceano Atlântico Tropical

Ciclo carbono

Levantamentos recentes indicam que os oceanos são responsáveis pela absorção de cerca de 30% a 40% do excesso de CO2 emitido por fontes antrópicas desde o início da revolução industrial (Canadell et al., 2007; UNEP, 2009). Caso sejam mantidas as atuais taxas de emissão, estima-se que as concentrações de CO2 na atmosfera aumentarão, de 385 ppm em 2008, para 450-650 ppm até 2060, o que alteraria a acidez média da superfície dos oceanos, de 8,1 para 7,9-7,8 unidades de pH (UNEP, 2009). Como resultado deste processo, está em curso uma acelerada modificação da composição química do oceano global, fundamentalmente, pela acidificação da região que compreende os cerca de 2000 m superiores da coluna d´agua. Os principais efeitos destas mudanças estão associados à redução da quantidade de habitats onde os organismos que integram o carbonato de cálcio (CaCO3) em suas conchas e esqueletos podem prosperar, prejudicando assim toda uma vasta gama de organismos marinhos e de cadeias alimentares que deles dependem. Torna-se imperativo, portanto, o estabelecimento de ferramentas de previsão do balanço de CO2 oceânico submetido a diferentes cenários futuros. Embora seja de conhecimento científico que o Atlântico tropical é uma fonte de CO2 para a atmosfera, muito pouco se sabe sobre a variabilidade espacial e sazonal-interanual do fluxo de CO2 na interface ar-mar nesta região oceânica, e muito menos de sua evolução de longo tempo diante do aumento do CO2 atmosférico. Mas se o Atlântico tropical funciona globalmente como uma fonte de CO2 para a atmosfera, regiões específicas e importantes foram caracterizadas como sumidouros de CO2, como por exemplo, as áreas oceânicas localizadas nas proximidades das descargas de grandes rios, como o Amazonas.  

Objetivo Principal: estudo dos processos oceanográficos que comandam a variabilidade das propriedades biogeoquímicas do oceano Atlântico tropical. Pretende-se com esta proposta, incrementar a capacidade de prever as respostas do Atlântico tropical às ações antrópicas crescentes, em particular àquelas associadas à captura e ciclagem de CO2 atmosférico e potencial de acidificação de suas águas. 

Coordenadores: Moacyr Araujo (UFPE) & Nathalie Lefèvre (IRD, França)

Abordagem Metodológica:fundeios e instalação de sensores para medicão de pCO2/O, campanhas oceanográficas, modelagem matemática.