Os Recifes e os Ecossistemas Coralinos

Prancha 14.1B

Recifes de Corais são os mais complexos e mais produtivos dos ecossistemas marinhos costeiros. Por serem formados pelo acúmulo de esqueletos e carapaças carbonáticas de organismos são, a um tempo, fornecedores de bens e serviços ecossistêmicos assim como arquivos naturais das condições do ambiente onde se desenvolvem. Nas últimas décadas eles vêm sofrendo com a crescente degradação ambiental fruto de forçantes antrópicas que atuando sinergicamente contribuem para a perda da biodiversidade e para a degradação da saúde e resiliência desses ecossistemas. Os recifes e as comunidades coralinas são ainda extremamente sensíveis a pequenas variações da temperatura da água, o que pode provocar o fenômeno do branqueamento dos corais e outros organismos que têm simbiose com zooxantelas, comprometendo a sobrevivência destes ecossistemas. O último evento observado no verão de 2009-2010 indicou que a severidade do branqueamento foi maior na porção setentrional da plataforma continental brasileira. Esta mudança pode estar associada a valores maiores de anomalias térmicas e/ou a características ecológicas do ecossistema. As projeções de aumento da temperatura dos oceanos juntamente com a acidificação representam, portanto, uma real ameaça a estes ecossistemas e aos serviços que proporcionam. Impactos crônicos a exemplo da pesca vêm se intensificando nas últimas décadas como conseqüência do aumento populacional. As doenças dos corais, registradas nos últimos anos, podem estar relacionadas com o enfraquecimento dos corais que já sofreram branqueamento. Verifica-se, entretanto, que algumas espécies de corais já estão apresentando maior tolerância às mudanças climáticas muito provavelmente devido a diferenças intrínsecas e/ou genéticas dos corais ou de suas algas simbiontes, tornando-os organismos resilientes. 

Objetivo Principal: avaliar a vulnerabilidade e a resiliência dos recifes e ecossistemas coralinos do nordeste brasileiro, sua integridade e conectividade ecossistêmicas, de modo a identificar recifes resilientes e vulneráveis, complementados com estudos da biomineralização dos seus organismos calcificadores. 

Coordenadores: Zelinda Leão (UFBA) & Ruy Kikuchi (UFBA)

Abordagem Metodológica: levantamentos de campo, análises isotópicas (C, O, Sr, Ca), bioensaios, datações (radiocarbono e U-Th).